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Otan confirma transferência de comando militar ao Afeganistão no ano que vem

05/21 | 20:30 GMT

Os líderes da Otan confirmaram nesta segunda-feira que o Afeganistão assumirá a responsabilidade da guerra contra os talibãs em meados de 2013 e que as tropas internacionais darão por encerrada a sua missão neste país no final de 2014, treze anos depois de seu início.

Barack Obama conversa com o primeiro-ministro britânico, David Cameron durante o último dia da cúpula

CHICAGO (AFP) - Os líderes da Otan confirmaram nesta segunda-feira que o Afeganistão assumirá a responsabilidade da guerra contra os talibãs em meados de 2013 e que as tropas internacionais darão por encerrada a sua missão neste país no final de 2014, treze anos depois de seu início.

Reunidos em uma cúpula extraordinária junto com seus sócios internacionais, os 28 membros da aliança encerrarão, com isso, uma operação militar que perdeu a sua popularidade há anos com a opinião pública, registrando até o momento a morte de mais de 3.000 militares e dezenas de milhares de civis afegãos.

"A transição irreversível da total responsabilidade pela segurança da Isaf (força da Otan no Afeganistão) para as Forças de Segurança Nacionais Afegãs (ANSF) está a caminho", explicaram os líderes em seu comunicado.

"Os afegãos não ficarão sozinhos na medida em que voltam a se erguer" como povo, assegurou Obama ao abrir o último dia da cúpula.

"A transição significa que os afegãos verão seu Exército e sua polícia patrulhando cada vez mais suas cidades e povoados", acrescentou o secretário-geral da aliança, Anders Fogh Rasmussen.

Os líderes, e em particular o presidente Barack Obama, não conseguiram obter do Paquistão um compromisso para a reabertura das rotas terrestres de abastecimento para o Afeganistão, um elemento essencial para uma retirada em ordem.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, não deu seu braço a torcer, depois da morte de 24 soldados paquistaneses em novembro passado durante um ataque aéreo da Otan na fronteira com o Afeganistão, causando a interrupção dessas linhas de abastecimento.

Islamabad estaria pedindo até 5.000 dólares por contêiner que passar por sua fronteira, 30 vezes mais do que antes da interrupção, segundo a imprensa americana.

A Isaf conta com cerca de 130.000 homens atualmente no Afeganistão.

Otan vai retirar tropas do Afeganistão em 2013

Para meados de 2013, o Afeganistão deverá contar com um Exército equipado e treinado de pouco mais de 350.000 militares.

Será uma transição delicada, já que os ataques e incidentes de combate entre as forças afegãs e internacionais registraram um aumento.

"Em meados de 2013, quando a parte final das províncias (afegãs) começar a sua transição, teremos alcançado uma importante etapa", indicou a declaração final da cúpula.

"Vamos reduzir o número de nossas forças gradual e responsavelmente para completar a missão da Isaf no dia 31 de dezembro de 2014", explicaram os 28 líderes da Otan.

"Esta não será uma missão de combate", ressaltou sua declaração.

A partir de janeiro de 2015 restará apenas no Afeganistão uma missão de treinamento, essencialmente americana.

Alguns países terão retirado seus soldados muito antes, como a França no final de 2012, um ano antes do previsto, seguindo uma promessa eleitoral do presidente François Hollande.

A cúpula de Chicago, que provocou protestos pacifistas e de grupos de esquerda americanos no domingo, terminou com uma reunião ampliada de cinquenta líderes, incluindo o afegão Hamid Karzai e o paquistanês Zardari.

O presidente afegão, que atravessa uma etapa crucial de seu mandato agora que perderá as forças internacionais, insiste que não quer ser um fardo para os aliados.

O líder afegão quer, no entanto, 4,1 bilhões de dólares por ano para manter o treinamento de suas forças militares, uma quantia que estava sendo coletada entre os participantes da cúpula.

A Otan tem outros compromissos a serem resolvidos, em meio a uma crise econômica e medidas de austeridade de ambos os lados do Atlântico.

No domingo os líderes estabeleceram cerca de vinte projetos para dividir gastos com equipamentos, treinamento e reparação de material militar da forma mais eficaz.

A Otan aprovou também a primeira fase de seu escudo antimísseis na Europa, uma iniciativa novamente apoiada em grande parte por Washington ante o perigo de ataques de países como o Irã, mas que desperta a ira da Rússia.

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